Diário do Centro do Mundo » A derrota de Cunha é a derrota de Moro, da Lava Jato e da mídia. Por Paulo Nogueira

O grande azar de Cunha foi ter ficado ao alcance de quem não está sob seu domínio nem de seus amigos e aliados: a Suíça. Foi o mesmo azar de Marin. No Brasil, Cunha permaneceria impune como sempre aconteceu nestes anos todos de uma carreira obscura e cheia de acusações de delinquência. Nem Moro e nem a Polícia Federal têm alguma ação sobre tipos como Cunha. Isso mostra a face real do combate à corrupção que se trava no Brasil da Lava Jato. Quem acredita nos propósitos redentores dessa cruzada demagógica acredita em tudo. O alvo é um, e ele não inclui figuras como Cunha ou Marin. Isso significa que, passado o circo da Lava Jato, nada de efetivo terá mudado – a não ser que se alterem profundamente a estrutura de fiscalização a roubalheiras no Brasil de forma que fiquem desprotegidos os plutocratas e amigos seus como Cunha. O episódio deixa também exposta a imprensa. O que ela fez para investigar Cunha nestes anos todos, e sobretudo nos últimos meses quando ele acumulou um poder extraordinário no Congresso graças a seu gangsterismo? Nada. Nada. Mais uma vez: nada. Não por inépcia, ou não por inépcia apenas. Mas por má fé, por desonestidade. Cunha era aliado, porque significava um ataque permanente ao governo Dilma. E aos aliados a imprensa não cobra nada. Veja como Aécio tem sido tratado. Como ele escapou de ser sequer citado como amigo de Perrela no caso (abafado por jornais e revistas) do helicóptero de meia tonelada de pasta de cocaína. A derrota de Cunha frente às autoridades suíças é, também, a derrota de Moro, da Lava Jato e da imprensa, não necessariamente nesta ordem. Tanto estardalhaço nas prisões dos suspeitos de sempre, e tanta permissividade em relação a tipos como Eduardo Cunha. É preciso destacar também o papel patético, nesta história criminosa, do PSDB. Já eram cabais as evidências contra Cunha e seus líderes, num universo paralelo, diziam que era preciso dar a ele o benefício da dúvida. Este benefício jamais foi dado a ninguém fora do círculo de interesses do PSDB. É uma demonstração incontestável de que a lengalenga anticorrupção do PSDB é a continuação da mesma estratégia golpistas que matou Getúlio e derrubou Jango. É a velha UDN de Lacerda ressuscitada nos tucanos. Na condição de morto vivo, ou morto morto, Eduardo Cunha cala sobre o que deveria ser dito – a questão das contas – e tagarela sobre o que é ridículo dizer. Ele está se fazendo de vítima. Diz que está sendo perseguido pelo governo e pelo PT. Não foi ele que roubou, não foi ele que barbarizou, não foi ele que criou contas secretas expostas pelas autoridades suíças: é o PT que está perseguindo. A isso se dá o nome de doença. É preciso louvar, por último, o papel de Janot. Fosse nos tempos de FHC com seu engavetador geral, sabemos onde ia dar o dossiê dos suíços. Na gaveta.

Fonte: Diário do Centro do Mundo » A derrota de Cunha é a derrota de Moro, da Lava Jato e da mídia. Por Paulo Nogueira

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